sexta-feira, 11 de março de 2011

Amor como necessário para a vida


               "Gostar é atual... além de ser TÃO BOM!... Uma boca que eu sei, não porque me fala lindo, e sim, beija bem...". Junto de você - sentimento do amor, de amar -, "fica tudo bem, tudo certo... Voa leve pelo vento... você me faz bem"
              O que se pode escrever sobre este sentimento tão nobre? O amor traz alívio, faz com que experimentemos paz, perdão, faz com que sejamos livres de fardos, livres da culpa. O amor parece um anestésico diante das dores mais fortes, mas também parece despertar para a vida do dia a dia, para a vida concreta, para os pés no chão, na medida em que nos permite experienciar compaixão e misericórdia pelo próximo. Todos nós desejamos e necessitamos ser amados e aceitos; logicamente ninguém tem o desejo de ser rejeitado e de receber ações ou olhares de indiferença.
                Frequentemente me pego pensando sobre nossa dificuldade de expressar o amor que sentimos por alguém e também em nossas diferentes formas de expressá-lo. No entanto, não obstante nosso desejo de manifestar e experimentar tudo o que pensamos sobre o amor, algo a que se destacar é a limitação desse sentimento por parte de nós seres humanos. O amor, por vezes, é por nós considerado como a “satisfação de uma fome sublime”, conforme diria o filósofo lituano-francês, Emmanuel Levinas.
                Estudiosos das Escrituras definem o amor como “uma categoria fundadora do cristianismo”. A forma como amamos não pode nem de longe ser comparada ao amor infinito de Deus por sua criação e, consequentemente, por aquilo que faz bem a ela, como a justiça e a paz. Mesmo amando o bem, a verdade e a paz e a sabedoria, parece que, como seres humanos, dificilmente vamos além do “gostar de”, do “apaixonarmo-nos”, do “ser amável”.  O amor de Deus, sim, é de uma fidelidade contínua; é um amor capaz de promover redenção de nós mesmos, de promover liberdade e libertação, de promover alívio e até mesmo um amor capaz de deixar-nos ir, quando expressamos, por alguma escolha ou comportamento, que não desejamos sua direção, seu reinado sobre nossas vidas. Em suma, o amor divino é o único de cunho incondicional. Não obstante, fato é que precisamos ser amados e ainda desenvolver o amor. Necessitamos de cuidado, de hospitalidade, de preocupação, de afeiçoarmo-nos a alguém.
                O sentido de escrever um texto sobre o amor, passa pelo convite a desenvolver nossa capacidade de amar, frequentemente ligada ao medo de amar e não ser amado, ligada à sensação de desafetos ou mesmo a decepções. Costumamos colocar todas as pessoas dentro de um “mesmo pacote” e, numa generalização, dizermos que ninguém é capaz de amar. Mas é preciso desvencilhar-se dessa conclusão advinda de decepções para perceber que cada pessoa é diferente da outra, havendo sempre a possibilidade de desenvolvermos afeições sem apegarmo-nos ao vazio ou à dor deixados por perdas passadas. O convite que aqui fica é o de submetermo-nos a uma cura do medo de amar através da abertura para novos amores, seja por meio do amor phileo (preocupação, cuidado, estar contente com a presença de), seja por meio do amor eros (“anseio, anelo, desejo, amor apaixonado”) e até mesmo pelo amor stergo ou storge (em seu sentido de afeição mútua entre pais e filhos, por vezes perdida pela ausência de perdão, por exemplo).
                O amor, apesar de possuir suas agruras – porque não é feito só de rosas, mas para seu fortalecimento e prova é preciso até a ausência delas –, restaura, renova, traz criatividade, comunhão (com o outro, mas também consigo mesmo); refaz; fortalece; traz vida, humor e cor ao dia; é dádiva; beijo; hospitalidade; abraço; graça; riso, e, sem desejar reduzir o conceito de fé, pode-se dizer que o amor ajuda no renovo e fortalecimento (e por que não no desenvolvimento?) dessa mesma fé e também de nossa esperança.
Pode ser que precisemos aprender acerca do amor incondicional de Deus; pode ser que precisemos aprender sobre isso a fim de obter autencticidade em nossa vida cristã: o cristianismo não é a religião do pecado e sim, do amor, mas parecemos insistir na culpa e em carregar o pesado jugo que ela impõe ao nos concentrar no pecado... No entanto, pensando sob a perspectiva de que através de uma vida cheia de amor, da vivência e experienciação do mesmo, podemos adquirir uma espiritualidade sadia, por que não abrirmo-nos para esta experiência - a experiência do amor, de amar? Porém, lembrando sempre: é preciso abandonar a exigência da incondicionalidade, pois esta nunca partirá de nós...A expectativa de que o outro supra nossos ideais de amor é uma maneira eficaz de desumanizar as relações, na medida em que tornamos o outro objeto de nossas satisfações.” (Suelen Nery dos Santos)

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